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sábado, 12 de janeiro de 2013

Mar de incertezas



  Foram tantas promessas a mim mesma. Tantas vezes em que decidi que iria te esquecer. Tantos discursos em vão. Eram apenas palavras. E eu continuo aqui. Esperando, esperando, esperando... E de brinde, lágrimas.
  Dói saber que não faço falta alguma para você. Dói te ver ali com outra, que eu tenho certeza que não te ama tanto quanto eu. Dói pensar que talvez pudesse ter dado certo. Mas dói mais ainda pensar que provavelmente nada voltará a ser como era antes. Porém mesmo com esse “provavelmente” de agora, não consigo abandonar os meus “talvez”. Quem sabe um dia...
   Um coração que anseia algo incerto. Perguntas sem respostas. Noites em claro.
  E o pior é que eu sei que a culpa é minha. Sou eu que alimento isso. Sou eu que fico criando expectativas e acabo decepcionada. Sou eu que cultivo um jardim inseguro de possibilidades e monto um mosaico de ilusões em mim. Por que eu não consigo te esquecer?
  Talvez porque eu queira acreditar que ainda há uma chance, e não queira aceitar a realidade provável. Talvez eu alimente esse fogo que não se apaga para não deixar minha paixão se esvair. Talvez eu nem esteja tentando te esquecer realmente, simplesmente porque não quero que você suma dos meus mais sinceros pensamentos. Quero acreditar que um dia eu ainda vou poder tê-lo ao meu lado... E para isso, vou ter que viver assim, beirando as margens de suposições. Até que um dia quem sabe você venha me mostrar que tudo isso não foi em vão, ou até que outro tome o seu lugar. Porque eu posso te esperar, mas não para sempre... Enquanto isso, eu continuo aqui. Esperando, esperando, esperando... Mas olha, esperar demais cansa, viu?
  Ps: Amo o seu sorriso.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Magia de Dezembro




    Dezembro. Fim de ano. Hora de reunir a família para as tão aguardadas -ou não- festas tradicionais, hora de ouvir as mesmas musiquinhas tocando nos intervalos comerciais da TV, ver os mesmos filmes, que falam do espírito natalino, sendo reprisados. Hora de já ir pensando na lista de compras que inclui quase que obrigatoriamente: panettone, peru, nozes, passas, rabanada, pavê. E o mesmo tio fazendo a mesma piada sem graça. As mesmas pessoas reunidas no mesmo lugar. Opa, as mesmas pessoas não, elas estão bem mais maduras.
   Sempre gostei dos fins de ano, por toda essa coisa repetitiva e clichê. Amo as coisas antigas. Sempre preferi escrever uma carta ao mandar um e-mail. Sempre me encantei com flores e uma canção ao som de um simples violão. Sempre me derreti com atos de romantismo. Sempre preferi passar noites em claro com um grupo de amigos e jogos de tabuleiro, ao invés de conversando pelo facebook ou jogando joguinhos virtuais. Assim sou também com o coração.
    Lembra daquela sinceridade de criança? Daquele coração bobo e inocente? Sem cicatrizes... Lembra daquele sorriso contagiante, que se acendia com coisas simples? Ou do jeito que os olhos brilhavam por quase nada? Daquela foto que todo mundo tem, todo lambuzado, mas com um sorriso de orelha a orelha no rosto? Então, gostaria que o mundo não sufocasse esse nosso lado tão puro... Mas a verdade, é que seríamos esmagados pelas pessoas se continuássemos com a mesma essência da infância. São enganos, trapaças, roubos (materiais ou sentimentais), mentiras, falsidade, maldade, segundas intenções, traições... Não suportaríamos.
   E com o tempo, vamos crescendo, caindo nesses buracos negros da vida, quebrando, mudando. Aquele coração que abraçava qualquer um, agora está todo remendado e com uma fortaleza construída a sua volta. Aqueles sorrisos bobos, agora são mais raros. Os olhos brilhando? Hum, espera sentado, vai demorar. Culpa das pancadas da vida. Culpa das pessoas erradas. Culpa do medo. Culpa disso. Culpa daquilo.
   O jeito é continuar a vida, preservando os detalhes internos que podemos, aproveitando os clichês de cada momento e os rituais repetitivamente felizes de cada fim de ano, relembrando aquela doce época em que o mundo era todo cor-de-rosa, sem manchas.                                                               
                                              Hello, December.



Fobia de Perdas


   
   Sou uma daquelas pessoas que raramente encontra algo que me deixe amedrontada. É, coragem eu tenho para dar e vender. Mas sabe uma das coisas que mais me assusta? O tempo. É uma das poucas coisas que me fazem sentir aquele frio na barriga, aquela insegurança. Fico apreensiva, pois sou daquele tipo de pessoa que gosta de manter tudo sob controle, porém não tenho como lutar contra o tempo.
   Ele vem carregando tudo o que encontra pela frente, como um furacão. Carrega decepções, carrega falsas certezas e carrega diversas dores, do pior tipo, as dores internas, que ficam guardadas aí no seu interior cercado por muralhas quase impenetráveis. Mas o tempo também carrega oportunidades únicas, carrega o frescor e vitalidade da juventude, mas principalmente, carrega pessoas mais que especiais. Acho que tenho medo é disso, de perder todos aqueles com os quais não consigo me imaginar sem, perder minha preciosa família, perder amizades únicas onde é o único lugar em que posso ser eu mesma.     
   Tenho medo de não conseguir manter tudo sob controle e ver tudo o que amo, valorizo e vivo, se esvaindo, e não possa fazer nada além de assistir ao grande espetáculo torturante e impiedoso do tempo. Ele desfaz, ele afasta, ele me amedronta. 
   “Será que existe alguma coisa que eu possa fazer? Qualquer detalhe que eu possa cuidar, só para que eu possa me sentir um pouco menos impotente?” Pergunto para o nada. Então escuto uma voz doce, que vem do meu interior, do meu coração sedento de realizações, que diz: “Sim. Olhar para dentro de si mesma, e se perguntar: Eu realmente estou sendo feliz? Estou lutando apesar de tudo pelos meus sonhos? Sim? Ótimo. Não? Então corra, pois o tempo não para, ele passa diante dos seus olhos, mas você não presta atenção.”.

sábado, 17 de novembro de 2012

Mente Complicada


   Um furacão de dúvidas se formava dentro dela. Conflitos internos, pensamento confusos, opiniões distintas e certezas derrubadas. Um desabafo e um ombro eram tudo que ela precisava naquele momento. Mas havia medo. Medo da incompreensão, medo do julgamento, medo de parecer fraca ou incapaz, medo de se expor. Logo, tudo permanecia guardado a sete chaves dentro dela, quer dizer, permanece. Esperando por alguém que torne as coisas mais simples, que consiga penetrar nesta fortaleza que ela chama de coração.